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Sunday, March 22, 2009

Uma fábula num sonho

E encontramo-nos num espaço ambulante e vejo os teus olhos com uma pitada de sal a mais e menciono-te:
- Onde queres ir?
- Onde queres que te leve?
E a musica transcende-nos para o lugar onde são feitos os sonhos
Tu pedes:
- Vamos viajar até ao interior de um objecto?
E eu digo-te:
- Consegues observar com acutilância o voo dos pardais?
Tu vens ter comigo e mencionas:
- Danças comigo num abraço profundo, forte e suave?
Eu respondo:
- Vamos, sentes a minha mão a tentar pesquisar a tua alma?
E entramos num espaço nada sideral
E caminhamos numa floresta nada perdida onde as fábulas são realidade:
- Sentes o meu espirito a juntar-se ao teu?
E na imensidão da terra molhada e cheia de oxigénio, digo-te:
- Dá-me uma dança e dar-te-ei um sonho.
E entramos em escadas coloridas que nos remetem para os nossos sonhos concretos e nada discretos
E viro-me para ti e digo-te:
- Anda comigo, agarra as minhas mãos..
Tu ficas a olhar para o meu olhar turvo e tentas entrar num lugar do bosque, que faz com que os eremitas sejam mais que meros habitantes da fábula
e eu pergunto-te:
- Será que uma dança turva o olhar com o prazer de um doce?

Lobos na ENCOSTA

E entramos numa qualquer planicie
E lembro-me do oxigénio que apanhava junto á portela do homem
Andava nas encostas do Gerês e um esquilo ia dizendo-me:
- Que buscas aqui tu?
Eu ficava a olhar para descampados reais e dizia ao esquilo:
- procuro lobos
- será que me podes dizer onde encontrar oxigénio?
O esquilo pedia-me:
- Pára um pouco e respira suavemente e eu fazia-o e os meus pulmões eram inundados de oxigénio puro e vital
e o coração batia como queria
O esquilo voltava a dizer:
- Porquê os lobos?
- Porque é que buscas oxigénio?
E eu continuava a vislumbrar nuvens sem fim
E eu continuava a olhar para o descampado incessantemente
E ia entoando o meu lamento ao vento
Voltava a respirarVoltava a expirar
Ficava inspirado
E o esquilo dizia-me:
- Anda comigo.
E eu:
- Onde é que me levas tão rápido?
E o esquilo voltava a dizer:
- Segue-me e vislumbra
Eu ficava meio atordoado olhava para as nascentes do gerês e para as árvores que por lá sobreviviam
E ia gritando para o esquilo:
- ONDE ESTOU EU?
O esquilo voltava a dizer-me:
- Segue-me
- SEGUE-ME
E ia repetindo:
- O que vês ALÉM NA ENCOSTA?
Eu de repente fiquei a olhar e senti um grito enorme a percorrer-me a ALMA e ia GRITANDO como um menino:
- SÃO OS LOBOS
- SÂO OS LOBOS.
OLHA COMO ELES DESCEM A ENCOSTA
O esquilo ia repetindo:
- CORRE- CORRE- SALTA- COMO È QUE SENTES O TEU CORAÇÃO?
E eu todo caótico e desorganizado da emoção ia-lhe dizendo:
- SOU UM MIÚDO Á PROCURA DE ALGO MAIS QUE UMA MERA EMOÇÃO
E olhava para o lobo que me fitava nos olhos
E olhava para a encosta plena com mais LOBINHOS
E pensava e acompanhava os lobos até á portela do HOMEM
O meu coração andava sobressaltado e a 200% á hora
E os lobos diziam-me:
- Não estás NA NOSSA COMPANHIA?

Monday, September 15, 2008

Paredes em chamas

Envolto em farrapos que são mais que meros trapos, vamos observando com acutilância as esquinas e ruas da mui nobre e invicta.
Tu perguntas-me:
- Amor meu, qual o significado daquelas estátuas que vemos ali?
- Amor meu, porque é que a invicta tem uma alma quase imperceptivel?
Fico a olhar para o céu e vou respondendo ao amor da minha vida, somente com o olhar...
I would like to have a cup of tea on a singular cup...
Je veut être plus qu'un oiseaux et moins qu'un poisson...
Les lapins parlent avec moi á cause des choses que je ne comprends pas:
- What do you want to take from a singular angle and merely with your mind and heart?
Eu não consigo responder a frases avulsas ou a perguntas complexas e procuro no amor da minha vida as respostas...
Parto novamente numa direcção onde encontro uma estação de comboio mágica e nada intermitente em pleno coração da invicta.
A minha musa bela e majestosa vai me sussurrando coisas ao ouvido:
- Je peut être une nuage...
- Ich will ein traueme leben...
Suddenly the walls of the most beautiful city in the world scream something to me:
- Porque é que não VOAS?

Um barco sem alma a navegar

Nos meandros da memória e ao escutar uma canção...
 Tentamos apanhar uma ovação..
 - És um miudo com uma paixão por limas...
 - És um homem com amor pelas rimas...
Voltamos ao barco disperso e encalhado no meio do Pacifico e pensamos na sua história desencontrada.
 Quando vindo do nada, aparecem uns quantos ratos que tentam afundar o barco e os gatos começam a agrupar-se em terra para não deixarem que algo maléfico seja trazido para a mesma, espalhando o pânico e a confusão:
- Somos os gatos que salvaram uma cidade do declínio..
- Somos a voz da consciência que enaltece a persistência..
Deitados ao sol como seres repletos de emoção e sensação, o mais pequeno vai dizendo:
- Tenho a alma de um leão e um olhar próximo de um embrião..
O do meio vai dizendo:
- Possuo uma mente complexa, mas tenho o coração na mão..
O maior dizendo:
- Sou mais que o teu pão...
- Sou aquele por quem os pais dão a mão..
O barco navega sem rumo, rumo á escuridão..
A luz é uma mescla de emoção e confusão..
No final de tudo, as perguntas são formalizadas:
- Por onde navegas, sem remos ou pegas?


Monday, June 30, 2008

Códigos por assimilar

E escutando vozes lançadas ao vento, encontram-se fenómenos de correntes em qualquer poesia pagã.
- Sou o rio que te tortura até á exaustão.
- Sou a corrente que te abraça enquanto o teu caixão se revolve.
- Como o pão amassado por Hérmes.
- Sou uma multidão de portugueses que navegam num frenetismo inconsequente qual ULISSES a percorrer a atlântida majestosa.
- Sou mais que um GRITO..
- QUERO SER O TEU RITO.
Num abraço nada atroz e demasiado majestoso para ser consequente, sombras levam-te ao limiar de um racionalismo invertrebado:
- És uma mera caixa de fósforos.
- És uma borracha que apaga sem riscar.
- És um lápis inconstante que desata a ser um mero gatafunho.
- És uma caneta sem tinta.
- És um boião que se esvazia.
- GRITA...
- ESVAZIA OS TEUS PULMÕES..
E sem códigos por assimilar ou ondas de ataques desmesurados, só sabes de uma coisa:
- A luta não tem sentido, senão souberes pelo que é que lutas.

Sentidos Figurados

E num sentido desfigurado vivo num caleidoscópio inconsequente como se procurasse uma mensagem oculta e indecifrável num ritual macónico.
Entro em espirais inconsequentes;de repente vou sendo interpelado por um assobio:
- Quem és tu?
Movo-me em direcção a uma cidade fantasma e o meu telefone toca e não o consigo escutar, de repente, como se de um anjo salvador se tratasse
escuto a voz do sangue do meu sangue:
- As flores têm mais beleza quando não estão intoxicadas e são puras como a neve, perguntam-me:
- Onde estás?
- Que fazes?
Eu continuo sem direcção á procura de sentimentos ocultos num qualquer teatro de marionetas assombroso ou em fitas animadas com alma
Fico impávido e sereno com a quantidade infindável de comunicação existente (inexistente)
- Os olhos sempre falaram melhor do que a mente
Vai-me trauteando um velho com os seus olhos cheios de vida.
Sou interprelado por funestas tradições de outrora onde o que é real passa a ser descalço, sempre rua abaixo ou acima tento vislumbrar magia inexistente.
Escuto canções, visiono filmes, procuro agulhas em palheiros:
- ESTOU FARTO DE NOMES
Vou gritando para mim mesmo
Volto a deambular por ruas estreitas e nada convulsas e sonho com uma cidade que já não existe; percorro o seu nome com o meu sangue, quase como se tivesse sido encostado á parede
e de repente, sem nada o fazer querer obtenho a seguinte pergunta:
- Onde estão os iluminados deste século ou milénio?

Sunday, June 29, 2008

Mitos em Lisboa

Qual voz desbragada por tantas facadas multiplas que vai levando; o rouxinol vai-se desmultiplicando num conto para crianças que não é somente uma mera lata desconectada...
O seu som é uniforme, linear e transparente...
 Escrevo com uma estrutura cadente disforme, enquanto oiço zumbidos na minha cabeça e o meu coração vai-se desmultiplicando em mil pétalas das melhores flores campestres..
Observo flores estendidas sobre a relva que me vão acariciando como um borbulhar de inuendos em convulsão..
 Percorro a rua do ouro com um olhar triste, mas contente ao mesmo tempo.
Vou até Santos para ver formas animadas num conceito total de marionetas que se prendem á minha infância e ao desejo de a encontrar para não a voltar a perder.
Entro nos dominios da maçonaria misturados com poesia de Rimbaud, prosa de Jack London e contextos históricos infindáveis (até a lenda de Avalon vai sendo desmultiplicada)
Curioso sentir novamente veneza na sua forma astuta e recordo-me de que os gatos lá são venerados devido ao facto de terem salvo esta cidade da peste negra quando os ratos as traziam dos seus barcos.
Viro marinheiro com o futuro por definir e com imensas sinas por revelar:
- O PRESENTE É O QUE TENHO...
- O FUTURO É O QUE SONHO...
- O PASSADO TENTO ESQUECER...
E entro nas livrarias á procura de mitos e do cheiro açucarado de trocadilhos constantes de fusões de cultura santificada ou mesmo de terra para cultivar (quase sendo parte do papel sem o ser num abraço eterno com o mesmo)
No dominio do SONHO vislumbro Saint Germaine como um mortal fugaz, vou sentindo uma maça na minha boca rouca...
(Esqueci-me FUCK I DON'T HAVE A FUCKING FAG)
Entro numa onda sinuosa de religião em decadencia, pedindo ao deus pã clemência na serra de sintra (onde pernoitaram Lord Byron ou até o Christian Andersen)
Sonho contigo INVICTA e com o teu beijo imerso na minha face, será que sou um ex libris teu ou és tu que me chamas sempre num pedido de ajuda involuntária...?
A música entra no meu dominio estelar e composto de objectos unificadores de parábolas consequentes.
Lembro-me de clips que seguram papéis, canetas que não escrevem, de um administrativo sem caneta e cansado...
- Ai que a tua saúde mata-te, RAPAZ.
Qual eterno deambulador nos balões da hemisferia contextualizada vou lacrimejando sobre pedras:
- Was kann ich mache?
- Oú est l'oiseau qu'ira m'amener oú je veut?
- I need peace of mind and an united heart.
Sou um papel que se transforma em fumaça ardente...
Vagueio e observo os olhares das pessoas em pleno CHIADO...
Fito a chuva num crescendo emancipado...
Sei lá o que faço por aqui, será que busco ou busquei a minha identidade perdida ou será que percorro o meu destino já traçado?
A chuva cai sobre a minha cabeça e o pardal vai entoando um cântico concreto...
- Sou uma árvore que deu frutos..
- Sou uma pedra que chora...
- Sou um mero rouxinol sem corda...
E penso num amanhã nada ilusório, no qual quem me irá encantar, não serão musicas ou mulheres bonitas, mas sim bonecos que se movimentam com a ajuda de outras mãos que os apoiam, pois a metáfora da infância nunca foi insolente...
And on dreams we live...
 And in words we parade...
And with images we do create...

Monday, January 21, 2008

Esplendor magnético

01

E a multidão vai entoando:
- Festa?

02

Eu dei tudo o que tinha e não é que fiquei imortalizado?

03

Eu fui o ANJO de alguém...
Eu fui uma mortal que me tornei IMORTAL...

04

Eu faço o mergulho acrobático e a máscara não desaparece, pois no palco imenso que é a vida, eu sou, eu fui e eu serei.


05

E na minha infância, não é que a vida era sempre uma constante folia?
Para onde foram os meus sonhos?
Foram passados para uma nova geração?

06

- Sou a Bonnie, não me vês CLYDE?


Valeria Lukyanova - Human Barbie

Apesar da turbulência na qual me encontrava, sabes que te amo com todas as palavras existentes num qualquer léxico ou vocábulo...


07

Como uma aguarela desprovida de bom senso ou com uma rapidez desmesurada pergunto-me a mim mesma:
- Para quê?
- Para quem?

Carmen Miranda

Todas as frutas...
Todos os sabores...
Todos os paladares...
Todos os aromas...
A diversão é um veículo para a alma se transmutar...

Sunday, January 20, 2008

Melancolia


01
E num intervalo de memória, interrogas-te:
- Para QUÊ?


02

E entre paredes ou numa encruzilhada qualquer, volto a perguntar-me:
- Por QUEM?


03

O telefone não para de tocar e a melancolia é inerte e eu pergunto-me:
- Para quando?


04

- Por quem verti lágrimas num soalho decadente e pegajoso?


05

- Continuo indagada a perguntar para o QUÊ é este SAL que ainda me inunda?


06

E num acto de desespero inócuo, eu GRITO para mim mesma:
- O QUE FOI?


07

Os meus olhos não são marcas de estrada, logo as palavras ficam mudas por algum tempo..








Fumo irrequieto


Num intervalo de tempo; cigarros vão sendo aglutinados numa qualquer caixa desprovida de bom senso. A caixa é meramente um embrulho para um presente concreto real e que dá sonhos, o diálogo não é mudo e é deveras acesso, as personagens são 3 cigarros, um fosforo e um vulgar maço de tabaco.




Maço de tabaco: Contenho no meu interior o nefasto prazer de magia contemporanea, mas parece que me retiraram a liberdade de brilhar num país desprovido da mesma.
1ª cigarro: Eu quero lume, dás-me?
2º cigarro: como é que eu te posso dar lume, se está a chover e nem sequer sou um fósforo, pede lume ao fósforo
.1º cigarro: Fósforo, podes dar-me lume, por favor?
 De repente; o fósforo que estava num bolso perdido, aparece desenfreado e responde-lhe assim:
- Como é que eu te posso dar lume, sem uma caixa?
1º cigarro: Porra, nem tu me dás lume?
2º cigarro: Pá, tem calma, vou falar ali com outro cigarro. - Ouve lá, onde é que se arranjam caixas nesta hora?
3º cigarro: Eu sei lá, mas também não se pode fumar em lado nenhum e está a chover, quereis ficar todos molhados? Os outros cigarros ficam cabisbaixos e voão dizendo isto:
- Como é que podemos ser acesos, quando nos cortaram a liberdade de o fazermos?
Num intervalo de poucos minutos, aparece outra caixa, que vai dizendo isto:
- Eu sou uma caixa de fósforos vazia, mas tenho lixa, tenho alguma utilidade?
O fósforo grita automaticamente:
- Sim, põe-me a arder para acender aqueles três cigarros.
O maço de tabaco os cigarros vai pensando para si mesma:
- Que cambada de lunáticos e onde é que estes cigarritos podem ser fumados?Não sabem que precisam de espaço para isso?
Mas os cigarros não se importam, o fósforo muito menos e a outra caixa menos ainda e numa travessa qualquer numa rua casual, encostado a uma parede, eles vão sendo tragados, sem a chuva os molhar, devido ao parco tecto que esta tem.
E num sorriso e num esgar triunfante; o maço de tabaco diz:
- E não é que aqueles malucos se safaram?
E vinda no nada, aparece a autoridade a GRITAR:
- COMPORTEM-SE.

Saturday, January 19, 2008

Garfos

Doll

E em meras horas de deambulação concreta num qualquer sitio, dois garfos vão dialoguando:

1º garfo: Eu escolho o que quero e quando quero.

2º garfo: Eu não tenho fome, mas podes escolher o que quiseres comer do meu prato.

1º garfo: Tu és um bom garfo e tenho a certeza que não precisas da ajuda de uma faca ou sequer de te tornares numa colher.

O 2º garfo fica confuso e absorto em pensamentos, mas depois de entendida a questão, vem a solução. e vai dialoguando com o 1º garfo:

- Porque é que eu tenho que escolher e comer..? NÃO QUERO.

1º garfo: As árvores não se alimentam, ou queres que os seus ramos mais fracos fiquem estaladiços? A raíz tem de ser mais forte do que tudo..

2º garfo: o vento está porreiro hoje e nem sequer dei pelas horas a passarem... Tive que escolher muita comida e sem ajuda de uma faca, mas safei-me ou não?

1º garfo: Tu safaste sempre, não é á toa que és um garfo bem maior e mais poderoso do que eu. E ancora rio abaixo, os garfos vão pensando um para o outro, dialoguando um com o outro, num sólido e construtivo diálogo.

E de repente, como num lufar de ar fresco, os garfos estão novamente limpos e prontos para poderem escolher o que lhes apetecer e sem a ajuda de uma faca e sem o objectivo de se tornarem uma colher.

Uma caixa


Numa caixa cheia de luz, vários elementos aparecem de repente, a descrição nunca foi aleatória:
guardanapos, bule de chá e canela misturada com farinha.
- Acordo de manhã e tenho uma função vai exclamando a água que ferve na preparação de um chá.
Imiscuido do seu pacote de tilia, a erva é transportada para a água a ferver.
As chavenas no seu enfãse triunfal, vão dialoguando entre si: 1ª chávena: Preciso do meu cházinho com aquelas ervas aromáticas que me fazem sentir tão bem.
2ª chávena: Eu também não me importava nada de beber um pouco dessa água fervilhada.
3ª chávena: Eu quero que a água seja a minha essência para andar bem mais calma.
No meio disto tudo, aparecem 3 bolinhos de canela, que também vão dialoguando entre si:
1º Bolinho: Eu sou farinha com canela, mas sou mais do que isso, o meu paladar é absoluto..
2º Bolinho: Eu lembro-me de ter sido confeccionado com o intuito de agradar aos paladares mais requintados.
3º Bolinho: Eu adoro dar prazer a quem o merece e ser tragado com minúcia e trago sempre no meu interior, uma missiva como aqueles bolos importados da china que traziam os seus haikus..
No intervalo disto tudo; a exclamação é enorme:
- Mas o que se passa com o bule, as chávenas ou os bolinhos?
Vai indagando uma criança enquanto vê os preparativos a serem feitos.
E no crepusculo ou num rapido adormecer na raíz das coisas que não se sentem, mas vibram, a mesma criança vai pensando no que é, no que foi e no que vai ser. O circulo começa em qualquer lado, as chávenas são aleatórias, os bolinhos também e o bule idem.. mas eles vibram e gritam:
- Eu quero DANÇAR e transmutar a minha essência para algo concreto e não precisei da ajuda de uma FACA, pois não?

Tuesday, January 15, 2008

Meros balões

E planando numa asa delta, á procura de um horizonte perdido.
Montes de balões aparecem numa atmosfera éterea.
As pessoas ficam indagadas e atónitas a olharem para o raio dos balões, contam-se por uma meia dúzia.
Vamos começar a descreve-las:
1ª pessoa : Um cacto
2ª pessoa : Um oceano
3ª pessoa : Uma pedra
4ª pessoa : Um guardanapo
5ª pessoa : Uma folha
6ª pessoa : Um copo com água
Cacto: olha para os balões em circulos aparentemente fechados, onde é que eles nos querem levar? Eu não preciso de água, mas assusta-me o facto de terem medo de serem destruidos por mim e eu estou aqui somente estático.
Oceano: Será que eu os vou receber nos meus braços e levá-los para paragens distantes, no meio do sal que transporto?
Pedra: Eu ando aqui há montes de anos e ainda não descortinei a função daqueles balões de todas as cores; será que o meu desejo é ser um balão também?
Guardanapo : Eu saboreio o prazer em observá-los somente e no final, tento limpar tudo, mas gostaria de ter outra função, será que consigo adornar-me e transformar-me num balão?
Folha: Eu vivo no limbo, numa árvore que me está constantemente a renovar, voo, mas caio muitas vezes e depois sou tragada para o lixo. ADORARIA ser UM balão LARANJA.
Copo com água: Eu estou cheio de água e nem me consigo mover e ainda dizem que a água é um bem essencial.. bahhh. Eu só quero é planar como aquele balão encarnado que vejo a dirigir-se para um planalto.
E os balões entram em zig zag e em disputas nada inconsequentes, sabem perfeitamente, quer o seu destino, quer o seu poiso, mas a sua forma etérea, acaba por levá-los para todo o lado num constante vai e vem universal. E de repente, todos os balões gritam em uníssono:
- QUEREMOS SER MAIS QUE ALGO, QUEREMOS SER ALGUÉM.

Engodo

E num godo daqueles que se apanham na areia numa qualquer planicie ou vale desaparecido, as folhas começam a aparecer com semblantes carregados, formando relva que nunca passa mais do que mera erva daninha.
Nota-se uma convergência entre um triângulo, um rectangulo e um circulo:
Triângulo : Três pontos, a que propósito? três não é sinónimo de multidão?
Rectângulo: eu tenho quatro pontas, a conversa circula entre todos, mas os dois lados estão sempre mais próximos um do outro e os outros dois mais longinquos, mas consegue-se fazer o que quisermos com eles.
Vai balbuciando o rectângulo.
Circulo: qual mito de Ourobouros ou de serpentes emplumadas?
Qual aliança num qualquer dedo?
Sou somente um círculo que depende vários círculos.
Na planície ou no vale longínquo, eles começam a encaixarem-se uns nos outros e a utopia nunca foi ilusória, notamos primeiro num triângulo, depois num rectângulo a tentar sobressair e finalmente num circulo que os vai cobrindo a todos com uma ideia exacta que o sonho é criar círculos e nunca andar a planar em vales ou superfícies, qual asa delta, sem energia.

Sunday, December 30, 2007

Gaya

E nos intercambios de uma cultura decorrente de um manifesto concordante, a gaya (cidade mitica dos sonhos) vai exclamando:
- Pertenço ao grande Porto!!!
- Dou-lhe sonhos!!!
- Fui a gaia ciência e honrei os meus compromissos.
- Fui vila, cresci e sou CIDADE.
- Os barcos rabelos e o seu belo VINHO são aportados na MINHA COSTA.
- E de onde vem, toda esta HUMANIDADE?
- Do meu VINHO?
- Do meu SONHO?
- Da minha CIÊNCIA?
E calma e serena, ela vai continuando a meditar nas suas ruas e calçadas.

Thursday, September 13, 2007

Uma simetria ilusória - Na mui nobre e invicta

Avenida dos Aliados

Descalço sobre as dunas de uma qualquer pátria e a padronizar ecos solenes á nossa pátria, vai gritando uma criança numa atmosfera hostil e demasiado enclausurada:
- SOMOS UM POVO.
- TEMOS AS NOSSA RAÍZES.
- QUEM VOCIFERA POR AQUI?
- QUEM COMANDA A NOSSA CIDADE?
A criança continua a observar tudo, enquanto vai dando milho aos pássaros ou pedaços de pão numa avenida enorme.
Os adultos olham para ela cabisbaixos e vão murmurando:
- Ele tem razão, mas o que pudemos nós fazer?
- Ele é uma criança ainda; tem que se sujeitar ás regras da sociedade como nós.
Vai gritando um homem na casa dos seus 40 anos.
De repente e sem contarmos, aparece uma velhinha com os seus 80 anos que vai sussurrando:
- É somente uma criança ou é o nosso futuro?
- Quem somos nós para protestar com os pensamentos duma criança?
Em toda aquela exaltação, aparece um homem na casa dos seus 30 que vai gritando:
- Porra, que cambada de lunáticos e demagogos, porque é que não se metem na vossa vidinha engaiolada?
- E tu miúdo, não tens que estar a estudar em vez de estares a fazer estes espectáculos gratuitos e infames?
O miúdo regressa a casa a soluçar e no seu choro balbucia palavras:
- Onde estou?
- Para onde vou?
E no meio desta hesitação toda, o miúdo não sabe qual a ponte que deve cruzar ou qual a margem que deve ocupar e a praça onde ele se encontrava, encontra-se agora deserta e despovoada, sem uma voz, sem um GRITO.

Friday, June 8, 2007

Sussurro

E num constante murmúrio entorpecido, a visão é uniforme.
Num objecto latente de olhares desmultiplicados em sensações, descobre-se um lamento ou um acto obsessivo que transgride a dimensão da palavra e vai sendo transmutado para um papel (observamos uma lua e uma rocha a dialogar)
Lua: Que fazes por aqui?
Rocha: procuro o mar, as ondas e o sal.
Lua: Porque é que nao me observas?
Rocha: procuro, absorver tudo o que me rodeia e acabo por ser absorvida.
Lua: Ja tive rochas; agora divago e medito para com os meus montes.
Rocha: Por muito que o manto de estrelas te cubra; não te faz a justiça que mereces.
Lua: Talvez, o propósito de o ser humano não era atingir o meu solo?
Rocha: Sim; mas o encanto, está no constante vislumbramento das tuas fases.
O diálogo termina e o constante monólogo e pensamentos dos dois intervenientes, é somente uma mera coincidência, na qual os pensamentos nunca sao difusos.

Sunday, May 20, 2007

Olhos esbranquiçados

No meio de uma formação contínua e ascendente; os olhos vão sendo somente pequenos atributos meritórios de chamas em ebulição.
O prazer hediondo e nefasto de corpos etéreos vai sendo continuadamente diluído num sem fim de ideias latentes e subjacentes.
A mesa está vazia num qualquer fundo e mundo meritório; encontra-se novamente plena nos seus interiores ópticos, a atenção desmembrada vai-se tornando num objecto transitório.
O burburinho é constante; a forma intermitente de desleixo cognitivo vai-se apresentando fugaz e ocular.
Os comprimidos são somente uma forma de fugir para outro hemisfério; a textura labial é formada por identidades e entidades discretas.
A tinta vai percorrendo todo o seu caminho interminável de formas constantes.
Os olhos vão absorvendo o tom esbranquiçado em contextos latentes; alguém vai falando francês com uma convicção por demais evidente.
A música vai sendo estilhaçada para toda uma eternidade; os ouvidos vão servindo de percursor para um conjunto alheado de elementos em frenesim.
O sol e a chuva vão fazendo a sua aparição fugaz e intermitente, continuam a escutar-se as batidas coerentes e consequentes de guitarras em ebulição e uma flauta a ser demovida do seu propósito inédito.
A serenidade é uma consequência de estratégias a despontar num antro cheio de mistérios; o som abafado vai-se tornando cada vez mais silencioso e verossímil entre a flauta que segue o seu caminho triunfal e nefasto, poderiamos deambular num qualquer esquema de autocarros em marcha.
O expoente máximo de mentes dilaceradas vai continuando o seu propósito residual de fumo pouco concreto e demasiadamente intermitente.
A liberdade continua a ser o expoente máximo de encruzilhadas a serem recortadas e favorecidas; várias faces vão sendo descobertas num marulhar de sensações que vão seguindo o seu trajecto idílico, o jogo poderia começar sem os seus principais intervenientes.
Os bolos vão sendo discretamente polvilhados com farinha e ovos; os transístores vão sendo devidamente infrigidos numa margem fluvial.
O Tamisa serve de ponte introspectiva ao constante desvario que vai sendo linearmente envolto num anexo desprovido de causas e consequências; através das suas ruas amplas e escorregadias, os pretextos insondáveis vão sendo devidamente atados.
Um homem de camisola encarnada vai fazendo a sua entrada triunfal; de repente, vai ecoando uma aura espiritual no ar que vai circundando todos os deveres patrióticos, ao escutar atentamente todas as fragrâncias que vão sendo respiradas e acaraciadas, a mistura de ideias e consequente fusão de corpo e alma, vai sendo o mote para um sorriso jovial e espiritual.
Os dedos vão pousando no piano como se de pequenas carícias se tratassem, todo o envolvimento estrutural é um constante prazer visual e ao mesmo tempo, quase hipnótico.
Entramos no carrossel da vida; sem um grito a ser transcrito, a descrição é bem mais que uma nuance estelar, mais um trago a ser consumido devagar, devagarinho, a suavidade é sempre um constante labor arrendado e aveludado.
Um velho vai-se manifestando para com os alicerces da humanidade.
Um homem de raça negra, vai dialogando constantemente ao telefone.
Os enigmas vão sendo rarefeitos de trajectos insondáveis; as noticias que vão aparecendo nos Media fazem-nos transitar para outros mundos.
O ritmo começa a entrar de uma forma constante e variável; mais uma vez as guitarras vão entrando de crescendo em crescendo, sem qualquer desvio estrutural.
As curiosas sapatilhas vão servindo o seu trajecto peculiar e introspectivo, o carvão está em marcha contínua, de repente, escutam-se músicas a serem literalmente entoadas numa qualquer descarga psicológica, mais uma vez vão-se escutando ondas em perfeita transição desviante, surgem-nos as palavras em perfeito estado bruto:
- Anda lá; MORRE JOVEM.
Os seus diminutivos vão servindo um qualquer propósito insondável; a transição de um cigarro vai sendo passada entre dedos exigentes, as raparigas vão entoando pequenos cânticos amorfos e desenvoltos.
O trabalho seco é por demais evidente; o silêncio impera num gelo absolutamente glacial.
O desmoronar de um tijolo é um constante rodopio de palavras incessantes e gritos estridentes, a pausa manifesta-se enclausurada nos instrumentos variados:
- Mãos á volta do pescoço?
O divino marquês vai sendo um artíficio deslumbrante quando o tom torna-se puro.
A idade é somente é somente um conceito a ser libertado; todavia a persistência da frase, torna-se um cadeado que vai sendo devidamente formado, dão-se informações inócuas de trajectos a serem percorridos.
Os olhos permanecem esbugalhados e imperceptiveis, toda a permissividade oculta é desfeita em pequenos fios de ligação, toda uma desenvoltura sintomática vai-se tornando perceptível nesses olhos que permanecem afoitos no vento, como se de pequenas pétalas se tratassem.
Uma luta olho a olho vai sendo descortinada, num assombro multicultural; poderíamos ir de encontro ao céu, mas não podemos fazer a devida homenagem a Ícaro.
As velhas vozes são demasiado frequentes para se tornarem esféricas; perder a mente é um futuro aparentemente estéril, as consequências são demasiado puras para poder determinar a frieza do acto em si, calças vermelhas são um projector de combinação ilusória, a semelhança de um simples objecto é demasiado verdadeira para poder testemunhar as ocorrências diárias, todas as diversas incidências são um qualquer tranformismo incipiente, os sorrissos vão denotando o bem estar apalavrado e consequentemente manipulado:
- Quais as visões ensaístas que produzem ideias coerentes e que são ao mesmo tempo multiplicadoras de conceitos vagos e estruturais?
- Pois; o ponto de partida foi o mesmo.
A procura da juventude é deveras evidente quando esta nos persegue nos seus olhos chagados.
O tom esbranquiçado vai sendo pautado de uma forma descontinuada; fugazes lampejos vão-nos remetendo para as pontes perceptivas, poderiamos tentar abrir as cortinas para poder apagar todas as exigências que estão envolvidas em actos despovoados de um qualquer nexo ilusório.
Os olhos continuam numa observação intermitente; o entendimento nunca pode ser assumido como um dado concreto ou obsoleto, perante montanhas gigantescas, o homem vai fazendo a sua minuciosa observação de elementos a serem transpostos para uma cavidade memorial, as pálpebras vão-se unindo, as pestanas vão-se mantendo demasiado abertas, as sobrancelhas estão demasiado juntas para se tornarem num permanente vácuo de emoções e sensações.
A tampa vai sendo demasiado flexível e no entanto, vai-se agigantando num contexto aparente e desconexo.

Saturday, May 19, 2007

Caneta

Permanece envolta num qualquer sentido oposto; a intuição é demasiadamente afável.
Através da tinta que vai escorrendo em demasia; somos confrontados com sonhos envoltos em almofadas desmembradas.

Maré ensombrada

No meio de sons entrecortantes; as incidências diárias vão sendo continuadamente aglutinadas.
A felicidade é demasiadamente englobada em contextos de verossimilhanças que vão sendo cortadas numa fina membrana de papel a ser dilacerado.
Escutam-se guitarras a tornarem-se demasiamente incidentes.
A maré vai sendo despojada de um qualquer artefacto mediático; as sombras vão servindo estruturas de uma forma cordial e intermitente, as janelas vão sendo descritas e polvilhadas num qualquer desleixo inconsequente.
Os mitos urbanos vão sendo devidamente encadeados; escutam-se telefones a tocar incessantemente e vozes a marcarem encontros pontuais.
Todas as sonoridades que pausadamente nos transmitiam sentimentos texturais vão sendo delimitados de crescendo em crescendo.
O tempo vai passando fugazmente; as vozes vão sendo cruzadas num diálogo simbiótico.
As conversas vão sendo atiradas para um vácuo desligado.
Os sons que permanecem caóticos e desmembrados; vão surgindo num eco com uma precisão acutilante e deslumbrante.
Brigadeiros surgem num escoamento de estrelas mirabolantes.
O fumo surge continuadamente ESBATIDO........